Embalos em plena segunda-feira de manhã

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Segunda-feira, chuvosa e sonolenta. Desço na estação Luz, como de costume. Mais um dia como outro qualquer, sem novidades. Caminho em direção a escada rolante para fazer a baldeação para a linha amarela, sem prestar atenção alguma, de tão automática que essa situação se tornou no meu dia-a-dia.
Porém, nesse momento, algo alterou-se em minha rotina. Quando me encaminho para escada, um jovem olha para trás e me encara. Primeiramente, olho assustada, mas depois, logo o admiro. Uau, ele não é de se jogar fora: levemente moreno, cabelos escuros, alto, atlético e usava um traje social que o vestia muito bem, era elegante. Enquanto o observo, ele vira para frente e sobe as escadas, vou atrás dele, sem opção.
Ao chegar no corredor em direção a linha amarela, ele para na minha frente e volta a caminhar rapidamente, soltando uma leve risada. Bem humorada, aceito a brincadeira e passo na frente dele e paro também. Ninguém fala nada, mas continuamos esse joguinho como se fossemos velhos amigos. Por vezes, nos olhávamos e fazíamos caretas um para o outro. Não esperava tanta alegria em uma segunda-feira de manhã, estava me divertindo demais, as pessoas nos observavam, uns rindo e outros estranhavam nossa atitude.
Tudo estava indo bem, até que chegamos na catraca da linha amarela e caminho ao seu lado, rindo. Ele retribui com um sorriso fofo. Continuamos nossa caminhada em silencio, e como de costume, vou para a escada oposta, para evitar multidão. Mas ele não, vai pela escada da frente. distraído, e só depois percebe que não estou perto dele. Me procura com os olhos e quando me vê, faz uma carinha de decepcionado. Também fico um pouco triste por minha pequena aventura acabar tão depressa, mesmo assim continuo o meu trajeto.
Quando descemos as escadas rolantes, elas sincronizaram, nossos olhares se encontraram, e, por pelo menos mais uma vez, vi o quanto ele era bonito.
Chego na plataforma toda sorridente, pensando nessa paixão de cinco segundos. Que loucura! Continuo pensando distraidamente, quando olho  para o lado e meu coração dispara. Sorridente, aquele lindo rapaz vem em minha direção e rapidamente para bem ao meu lado. Ele se aproxima devagar e diz ao meu ouvido:

– Eu não sei seu nome…

Sorrindo, logo respondo em tom de brincadeira:
– Eu também não sei o seu.
E ele finalmente se apresenta :
– Vítor…
– Olá Vítor, eu sou a Tabata.

Ficamos um olhando para o outro, quando o metrô chega e embarcamos. Ele curiosamente pergunta se já tomei café. Respondo que  não e ele me faz um convite :
             – Conheço uma padaria muito boa, que fica na Faria Lima… Gostaria de ir até lá? Preciso muito saber como você consegue ter tanto bom humor em uma segunda-feira como esta. – ele ri.
Olho para o relógio e vejo que estou com tempo, olho para ele rindo e aceito o convite. Uau, que dia! Por fim, descemos na estação e vamos em direção a padaria. E de repente, essa segunda-feira de manhã não é mais sonolenta e nem chuvosa, mas sim, muito melhor do que poderia ser.
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