Sons de uma madrugada urbana

 

Parada, escuto em silêncio os ruídos da madrugada, já passa da meia-noite e não consigo dormir, ouço diversos sons, que chegam a ser silenciosos de tão despercebidos que passam por nós. Mas nessa noite em claro, passo a prestar uma mínima atenção a eles, que juntos, se tornam uma melodia, uma sinfonia, agradável e tranquilizante de se ouvir: o funcionamento do relógio, conversas aleatórias distantes de mim, carros em ruas mais distantes ainda, cachorros que latem e nem sabemos quem são seus donos, o motor da geladeira.
Pensativa com esses ruídos me pergunto: “O que será que fazem as outras pessoas que também estão acordadas na madrugada? Talvez, o mesmo que eu, tentam dormir, ou não podem dormir, ou até mesmo não conseguem, por inúmeros motivos. Mas será que algumas delas, qualquer uma que seja, parada um minuto se quer, e ao invés de contar Carneirinhos, ou mexer no celular, tenta ouvir as melodias da madrugada?”.
Enquanto penso, o tempo passa, e vejo o sol raiando pela janela, os sons mudando, e a melodia se intensificando, ficando mais agressiva, populacional, com cachorros mais agitados, sons de carros mais próximos de mim, pessoas que falam e falam sem parar, diversas televisões ligadas e o relógio? Já nem o consigo perceber. O motor da geladeira? Já nem existe mais.
E em meio a essa nova sinfonia urbana, eu durmo com mais tranquilidade, sem que ninguém me perceba, sem que ninguém saiba, que enquanto dormiam, eu os escutava. Boa noite.

 

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2 comentários sobre “Sons de uma madrugada urbana

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