A arte não está em crise

A caminho do trabalho, entro no metrô como de costume e me sento a janela. Em seguida um homem entra, silencioso. Coloca uma placa no corredor com alguma mensagem que fala sobre amor, não sei ao certo.

Ele se dirige ao outro lado do vagão, retira uma flauta da bolsa e começa a tocar. Uma música melodiosa, calma e soa até triste, como um pássaro que está preso em uma gaiola. Enternecida com a música, admiro aquele homem tão talentoso, olho a minha volta e observo outras pessoas encantadas também, observo outras, porém, um pouco mal humoradas, como se o homem fosse um intruso ao sossego entediante e monótono delas.

Mas por quê?

Que mal faz um pouco de música aos ouvidos? Sendo que tudo o que esse jovem quer é uma ajuda para se manter e não está obrigando ninguém a fazê-lo. Talvez, sua única opção foi procurar na arte, no seu talento, uma forma de conseguir algum dinheiro para manter as contas em dia.

Com o quadro que vivemos hoje no Brasil, com problemas, políticos, econômicos, culturais e sabe-se lá mais o quê, o país tem mudado.

Sim, há algo de diferente. Sinto a força do brasileiro para adaptar-se, ser criativo e mudar. Andamos por ai conhecendo coisas novas, novas possibilidades e tudo na base do bom humor e alegria, do jeitinho que só a gente sabe.

Afinal, o que fazer em um momento de crise?

Eis a pergunta que nosso povo fez e ainda estamos na luta para descobrir, com ou sem lágrimas nos olhos.

Com certeza há uma beleza nisso tudo, pois nem assim deixamos de estar em festa. Confesso que tem sido interessante observar essa transformação. Principalmente para para mim, usuária assídua do transporte público.

Num dia é um grupo de músicos que entra no ônibus e canta músicas de Kaoma e Menudos, experiência incrível, como sempre, quem podia ajudava.

No outro, um senhor entra no metrô e começa a recitar um poema de amor, foi lindo.

Houve outra vez que artistas de teatro fizeram uma representação fantástica. As vezes na entrada da estação há uma violinista, sendo que no dia anterior havia uma moça com uma sanfona e por aí vai…

E como não se encantar com tudo isso?

O acesso a arte nunca foi tão fácil, tão simples, tão livre. Se antes o brasileiro não tinha acesso a ela por falta de oportunidade ou preguiça, não importa, pois agora ela está bem a nossa frente.

Quem não a vê é porque prefere insistir que o jovem a tocar flauta no metrô incomoda a sua vida triste, monótona e distante de tudo o que é belo.

 

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A arte não está em crise

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