Sonho em uma chuva de inverno

Mundo Hipatetico de Amanda - Beijo na chuva

Mundo Hipatético de Amanda – Sonho em uma chuva de inverno

É sexta-feira, fim de tarde. O céu está nublado, triste e preguiçoso. Mas isso não importa muito para quem está dentro do metrô voltando para casa depois de um dia cansativo no trabalho.

Desço na estação Carandiru e vou para o ponto de ônibus. A fila está enorme e o céu ameaça chover. E é claro, estou sem guarda-chuva para variar.

Não demora muito até que os primeiros pingos começam a cair. Tento me proteger em vão, não há lugar para ficar sem correr o risco de perder o ônibus.

Logo as pessoas precavidas começam a abrir seus guarda-chuvas, olhando para mim não sei se com dó ou me julgando. Que se dane, que mal há em se molhar um pouquinho?

Enquanto penso, eis que uma alma caridosa a minha frente se vira e me oferece abrigo. Aceito com prazer. Era um rapaz bonito, parecia mais novo que eu e muito educado também.

Mundo hipatético de Amanda - Chuva de inverno

Mundo Hipatético de Amanda – Sonho em uma chuva de inverno

Passados aquele constrangimento de estar dividindo um guarda-chuva com um estranho, logo começamos a conversar.

Seu nome era Renan e cursava regência na Etec ali ao lado, isso explicava tamanha polidez. Contei um pouco da minha vida e logo estávamos rindo como se fôssemos melhores amigos.

Num desses momentos nossos olhares se encontraram e desviamos rapidamente, um pouco constrangidos, pois sabíamos bem o que estava acontecendo.

Como que magnetizados, voltamos a nos encarar. Nos aproximamos lentamente um do outro, até que nossos lábios se tocarem, formando um beijo doce, lento e romântico, debaixo daquele guarda-chuva.

Um segundo depois meu ônibus chegou, tive que correr para não ficar para trás e só quando entrei, percebi que Renan não pegaria o mesmo ônibus que eu.

Olhei para ele que estava do lado de fora, estava me olhando também. Permanecemos assim, contemplando nossa despedida silenciosa enquanto o ônibus se distanciava.

Nunca mais o vi e nem se quer sabia como encontra-lo. Tudo o que sabia sobre ele era seu nome e que beijava muito bem.

Bem, era o suficiente para marcar em minha memória esse sonho que eu vivi nessa chuva de inverno.

Leia também: Embalos em plena segunda-feira de manhã

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