O quarto escuro

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De repente acordo e me vejo sozinha em um quarto escuro novamente.  O que aconteceu? Começo a me lembrar. Você descobriu. Descobriu tudo o que havia dentro de mim e depois fugiu? Sim, tenho certeza, mesmo não lembrando de como vim parar aqui, o que já era esperado.

Olho ao meu redor e vejo uma janela. Você está ali, você não fugiu!  Mas também não se aproxima de mim. Está ali parado cheio de dúvidas nos olhos, pensando se deve me aceitar assim ou esquecer de tudo o que aconteceu.

Não sei se posso julgá-lo e muito menos obriga-lo a me aceitar. É algo difícil, eu sei. Nem todo o amor do mundo suportaria. Mas acho que lá no fundo, eu esperava algo diferente. Não te julgo. Mas será que deveria? Depois de tudo o que passamos juntos, você não deveria estar ao meu lado, me apoiando? Todas aquelas declarações num piscar de olhos foram em vão? Devo acreditar que o sentimento é verdadeiro? Sendo que, quando você soube e viu quem eu realmente sou, não suportou.

Como acreditar que dizia a verdade, não é mesmo? Me ponho a pensar, lembrar da gente, de tudo de bom que aconteceu. Você não sai janela, continua me observando sozinha ali, não sei se devo me importar com isso.

Levanto e dou uma volta pelo quarto. Precisarei me acostumar a ficar por aqui novamente. Enquanto caminho, viajo no tempo para o dia em que a gente se conheceu… que loucura, né?

Foram momentos muito bons, não dá para negar. Nos conhecemos de forma inesperada e quando vimos já estávamos saindo juntos e conversando como se fôssemos amigos há muito tempo.

Eu me sentia em paz com você, tão em paz que por algum tempo me esqueci que guardava um segredo que poderia afastar você para sempre. Acho que eu te passava a mesma sensação, lembro-me de ver os seus olhos brilhando, sempre que olhava para mim.

Ah, como a gente se curtia! Cada abraço, cada toque e cada beijo… parecia que eu ia a lua e voltava. Logo eu, que achava que nunca seria digna de um amor puro e tão leve. Pela primeira vez em toda a minha vida encontrara alguém que me aceitava do jeito que eu realmente era…

O tempo foi passando e a gente já não conseguia mais viver um sem o outro. E aí, a necessidade de me abrir completamente para você veio à tona. Eu precisava contar o que havia dentro de mim, quem eu era de verdade. Só assim poderia ter certeza de que era amor o que você sentia.

Por isso aguardei o melhor momento para contar, sabendo que isso poderia mudar o rumo do nosso romance. Queria não ter que fazer aquilo, mas fiz, contei tudo muito rápido e rezando para que sua reação fosse a melhor possível.

Após contar, fiquei tão nervosa que nem pude ouvir sua resposta, desmaiei antes que dissesse. Só lembro de seus olhos assustados, como se desacreditasse de tudo aquilo, como se não me conhecesse mais.

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É, parece que tudo o que vivemos foi como um sonho realmente. Mas agora acordei. Agora você sabe e não está mais aqui. Você se foi e eu voltei para o meu quarto escuro. Sento-me na cama novamente, tentando me conformar. Parece que está ainda mais escuro do que antes. Fecho os olhos, como se adiantasse de alguma coisa.

De repente algo me puxa e me segura em seus braços. É você. Ouço sua respiração acelerada em meus ouvidos e o ouço dizer quase sem fôlego: – Eu….Eu não consigo … te deixar.

Sinto uma lágrima escorrer pelos os meus olhos e o abraço o mais forte que posso. Quase não consigo te responder, mas acho que não precisava. Ele não foi embora, ele estava ali e estávamos bem. Foi então que percebi, ele me aceitava do jeito que eu era.

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