A narrativa está bem a sua frente

Quem tem vontade de ser escritor e não sabe por onde começar, provavelmente vai se identificar com esse texto.

Porque ser escritor tem lá suas limitações. É preciso dedicação, técnica e, é claro, inspiração. Esse último, é o nosso maior desafio.

Talvez porque ela não venha simplesmente no momento exato que se reservou para escrever. Ela pode vir no banho, na hora de dormir ou naquele momento que não há hipótese alguma de você escrever, mas dificilmente na hora certa.

Dizem por aí, que existem técnicas para direcionar sua inspiração e ter ideias no momento do texto. Mas um escritor de histórias, principalmente, sabe que a graça está em escrever nos momentos mais repentinos.

A parte boa é que sempre há espaço para escrever. E para quem tem paixão pela narrativa, assim como eu, vai entender do que estou falando.

A narrativa está em todo lugar

A gente anda pela rua e não percebe o montão de coisas que passam por nós. Para quem é paulistano, a riqueza de informações chega a ser ensurdecedora.

Em um dia rotineiro você passa por pessoas, publicidades, comércios e veículos, ouve sons, barulhos, ruídos e, de quebra, alguma música ao fundo…

Reflita: nestas poucas linhas, provavelmente veio a sua mente um cenário completo do dia a dia na cidade grande, não é?

Feliz é quem sabe observar e absorver…

Pois observar é a parte principal de construir uma narrativa. Observar e absorver. Associar elementos aqui e ali, usar um pouco da imaginação e pronto, a história está completa e, literalmente, a sua frente.

Só de passar pelo metrô vazio, tarde da noite já é possível perceber que uma história está prestes a acontecer: lugar quieto e vazio, no qual o único barulho é o vento ecoando pelas escadas rolantes, que parecem gritar para serem ouvidas, já que o dia todo seu chamado é abafado por esta cidade viva. Elas não param. Fazem tuc tuc… tuc tuc…tuc tuc tuc…

Observando o ambiente, é possível perceber o contraste da pouca luz presente, com a escuridão vinda de fora e invade. Junto aos ruídos da escada, que não se cala… tuc tuc…, parece chamar você, pedindo que algo aconteça.

Sim, a narrativa está ali. Ela é quase palpável e você só precisa lhe dar forma. O que pode acontecer? Talvez (talvez), um homem de sobretudo entra de repente e desse apressado pelas escadas. Olhar vacilante, como se fugisse de alguém. Sua fisionomia muda quando percebe você ali parado, olhando para ele. Sem dizer nada, ele se aproxima e lhe entrega um envelope, fala em seu ouvido o endereço para onde deve leva-lo e some ao passar pelas catracas.

Mudemos o foco. Um dia ensolarado e comum em São Paulo. As ruas repletas de pessoas que estão a caminho do trabalho. Barulho de carros passando e buzinando, acompanhado de conversas e risadas. Pessoas esbarrando em você enquanto observa tudo, esperando a história acontecer.

Uma narrativa em primeira pessoa. O diálogo em sua mente ecoa pela cena, mostrando a rotina comum a qualquer cidadão da cidade grande, mas, neste dia em especial, tudo iria mudar…A frase mal termina e você esbarra em alguém, um homem (ou mulher) bonito e encantador, que estranhamente te chama pelo nome. Como assim? Você nunca viu essa pessoa em sua vida? Pronto. É o gatilho que precisa para começar.

Não importa o cenário, não importa o dia ou o personagem…

É possível construir a história com poucos elementos, basta observar.

São tantas as narrativas, que parecem até portas que se abrem a nossa frente indo para um universo paralelo da mente. Só consegue abrir essas portas quem enxerga a narrativa a frente. É uma espécie de talento natural do escritor, mas que qualquer pessoa pode desenvolver ao longo da vida.

É claro que um escritor por ter facilidade em enxergar isso, vive em um mundo que poucas pessoas conhecem, o que o torna diferente dos demais.

Mas, que mal teria, se por pelo menos alguns minutos do dia, todos pudessem enxergar estas portas de um universo paralelo e criarem algo novo? Se todos se dedicassem um pouquinho para observar mais e usassem a sua imaginação?

Mal não teria, tenho certeza. Talvez, o mundo seria um lugar muito mais agradável de se viver, onde essa massa cinzenta que paira na mente de muitas pessoas se dissiparia, dando espaço a novas possibilidades.

Mas, repito, talvez. Eu poderia escrever muito mais, mas vou ficando por aqui. A partir de agora, deixo com você e com a sua imaginação. Afinal, a narrativa está bem a sua frente.

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