2020: por que ainda não sabemos nos comunicar?

O texto dessa semana não era sobre este tema. Mas perante a situação que enfrentamos, com a necessidade de home office e privação da conversa cara a cara, achei o título necessário.

Vou começar pelo básico e agregar algumas coisas da minha formação. Quando se estuda Comunicação Social na faculdade, como no meu caso, a primeira lição (obviamente) é sobre o que é comunicação e como ela acontece.

Parece uma matéria bobinha, que todo mundo sabe. Mas na prática, muitos parecem não entender o que é comunicação e a sua importância.

Por isso, falar sobre ela é necessário e, quem sabe, melhorar a vida de algumas pessoas.

Do básico: o que é comunicação?

Comunicação é o ato de transmitir uma mensagem, recebendo uma resposta ou não.

Ou seja, para que ela aconteça é preciso (pelo menos) de:

1 emissor
1 receptor

Fácil, né? O emissor emite a mensagem ao receptor:

Emissor >>>>>>>>>>>> receptor
               (Mensagem)

Que recebe e interpreta de acordo com a sua cultura, estilo de vida e repertório, que podem não ser os mesmos que do emissor. Este receptor também pode responder a mensagem, ou seja, um receptor, pode ser um emissor e vice-versa.

Por onde a mensagem é transmitida?

Toda mensagem precisa de uma canal para ser transmitida. É o meio por onde ela caminhará até chegar ao seu destino.

Em uma conversa comum, a voz é o canal. Quando a mensagem é um comercial, por exemplo, a TV pode ser o canal. Se estamos conversando online, o Whatsapp (ou qualquer outro aplicativo ou site) torna-se este canal, e por aí vai.

O canal é muito importante para que a comunicação aconteça. É a forma de garantir que o receptor a receba.

Sem o canal, eu crio inúmeras mensagens que nunca serão recebidas. É como escrever uma carta e enterrá-la no jardim. Uma mensagem sem utilidade.

Comunicação: um assunto que nunca tem fim

Para entender a fundo a comunicação, é preciso muito estudo (a faculdade dura 4 anos!). Portanto, neste texto explicarei apenas o essencial.

Poderia encerrar o tema com o básico (emissor, canal, receptor), pois com eles a comunicação já acontece. Mas ainda há um tópico importante e que faz total diferença neste meio: a linguagem.

Ela deve compor a mensagem, se adequando ao receptor. Sem essa adequação, o receptor pode até receber a mensagem, mas não irá entende-la, fazendo com que a comunicação seja perdida.

Ou seja, se estou falando com um jovem, minha mensagem deve se adequar a linguagem dele, talvez num estilo mais informal e objetivo. Já para uma pessoa mais velha, uma conversa que agrega o máximo de informaçõe e de preferência numa linguagem formal, pode ser uma boa escolha. 

Se meu colega não exerce a mesma profissão que eu, talvez evitar abreviações ou termos técnicos pode me ajudar a ser entendido. Assim como, se precisar lhe solicitar algo, preciso procurar entender e me enquadrar ao universo dele para que haja fluidez na comunicação.

Por que estou dizendo tudo isso?

A comunicação é o principal problema nas relações humanas. Seja na vida pessoal, profissional ou até religiosa, ela é o principal entrave, a fonte dos conflitos e falhas no processo.

Em empresas desorganizadas, com funcionários desmotivado, a raiz do problema, geralmente é a comunicação. Para casais que não se entendem e vivem brigando, ela também é o problema.

Na verdade, o problema é a falta dela, pois a comunicação é a solução. E para saber usa-la é preciso força de vontade e empatia.

Chegamos em um ponto que as pessoas não conversam mais. Em muitos casos pensam que tem muito a dizer, mas não se preocupam com o entendimento do receptor ou com sua resposta. Só ouvem o que elas mesmas tem a dizer.

Ou pouco se importam com a forma que a mensagem irá chegar. Tratam a comunicação como se fossem mercadorias a serem despachadas, que nunca mais serão vistas.

Isso me lembra umas das teorias da comunicação, a de Wright Mills, sobre a Agulha Hipodérmica.

A princípio, Mills, achava que a comunicação era unilateral e em massa, no qual bastava emitir a mensagem por meio de uma agulha Hipodérmica e todos os receptores absorveriam e compreenderiam a mensagem, tomando-a como verdade.

É claro, que mais a frente foi comprovado que nem todos os receptores recebem mensagem e alguns se quer a assimilam. Somos seres humanos individuais e não há como todos reagirmos a uma mensagem da mesma forma e passivamente.

A comunicação não se trata disso. No fim das contas, percebemos que ela se trata muito mais de compreender o outro, do que apenas ter algo a dizer. Pois de nada me adianta falar algo que ninguém entenda.

É preciso me adequar ao receptor. Estudar o seu comportamento, a sua cultura e forma de falar. Para assim, investir em minha linguagem, a fim de emitir uma mensagem que com certeza será recebida e absorvida.

Isso vale para qualquer relação. Com uma boa comunicação temos a oportunidade de viver em harmonia com a família, namorado e amigos. Exercer nossa profissão com muito mais satisfação e sensação de dever cumprido. Ou até mesmo, ajudar alguém a aprender algo, deixando o julgamento de lado.

Entender o outro é comunicar melhor. É empatia. E só consigo fazer isso a partir do momento em que eu deixar de falar sobre mim e passar a fazer as perguntas certas, me interessando verdadeiramente pelas respostas.

Pergunte. Ouça. Entenda. Comunique.

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